A Uber no Brasil e no mundo

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A ideia de criar a Uber surgiu em 2009, quando os futuros idealizadores da empresa, Travis Kalanick e Garett Camp, estavam na França e não conseguiam se locomover com facilidade, devido a grande concorrência por táxis e a dificuldade com o transporte público. Nesse momento, ambos discutiram sobre como seria interessante poder contratar um serviço de motorista particular pelo celular, algo que não fosse caro e permitisse que o passageiro pudesse viajar tranquilo e em segurança, fazer suas ligações, checar os e-mails e quem sabe se divertir com jogos de cassino no celular para passar o tempo durante a corrida.

Em junho de 2010, a Uber Technologies Inc. começou a operar oficialmente na cidade de São Francisco, e desde então já se espalhou para mais de 600 cidades ao redor do mundo, com cerca de 3 milhões de motoristas parceiros. No Brasil, os números da companhia também impressionam: a Uber já chegou em cerca de 100 cidades desde 2014, e seus serviços são utilizados com frequência por nada menos que 22 milhões de brasileiros. 

Nesses cinco anos desde que começou a operar no Brasil, a Uber já lançou quatro modalidades de veículos no país, Uber X, Select, Black e Juntos, e também o seu serviço de entrega de alimentos, a Uber Eats. Apesar dessa expansão rápida e grandiosa, a empresa também é alvo de controvérsias e protestos, especialmente em relação a baixa remuneração e escassez de direitos trabalhistas dos motoristas parceiros, os quais têm protestado por melhores condições de trabalho em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Estreia da Uber na Bolsa de Valores de Nova York

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No dia 10 de maio, a Uber se tornou uma empresa de capital aberto, e passou a ter as suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O IPO (sigla em inglês que corresponde a “oferta inicial pública”) da companhia fez com que ela fosse avaliada em US$ 82 bilhões, e conseguisse captar cerca de US$ 8 bilhões, um dos índices mais altos entre as empresas da área de tecnologia que estrearam na bolsa, o que gerou grande interesse no mercado com essa nova iniciativa adotada pela Uber. 

Em 2018, fontes especularam que a Uber poderia ser avaliada em US$ 120 bilhões após o seu IPO, mas os resultados recentes de outras companhias da mesma área, como a concorrente Lyft, que perdeu cerca de 30% do valor de suas ações desde que entrou na NASDAQ, provavelmente fez com a Uber adotasse uma postura mais cautelosa. Ainda assim, em sua estreia na bolsa, a empresa apresentou uma queda de aproximadamente 7%.

Em carta aos funcionários da Uber, o CEO Dara Khosrowshahi destacou que a abertura do capital da companhia será um grande desafio, pois voltará a atenção do mercado ainda mais para as operações da empresa. Por conta disso, Khosrowshahi não escondeu que a responsabilidade a partir de agora se tornou maior, pois será preciso prestar contas não apenas com os clientes da Uber, mas também com os acionistas. De acordo com ele, cada ação adquirida representa uma nova pessoa que acaba de se tornar coproprietária dos negócios da companhia.

Quais as consequências desse novo passo da Uber para os usuários?

painel com números da bolsa de valores
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A abertura do capital da Uber provavelmente irá resultar em tarifas maiores no futuro, pois apesar de precisar se manter atrativa para os usuários, em meio a outros concorrentes que também vem ganhando espaço nesse mercado, a Uber será mais pressionada pelos seus investidores e acionistas a começar a dar lucros. Ao contrário do que muitos imaginam, a empresa só vem acumulando perdas nos últimos anos.

Com um déficit acumulado de cerca de US$ 8 bilhões, a Uber, assim como algumas de suas concorrentes, como a Lyft, foram subsidiadas por grandes grupos capitalistas de risco e investidores privados, que contribuíram para o rápido crescimento da empresa, à espera de ganhos futuros. Até o momento, esses ganhos ainda não aconteceram, e a entrada da companhia na Bolsa de Valores aumentará a pressão para que isso ocorra logo, o que pode afetar nos preços das corridas.

Paralelamente, essa importante mudança no modo de operação da empresa também pode fazer com que os governos revisem as permissões de funcionamento que cederam a Uber, além das pressões cada vez maiores por parte dos motoristas, que reivindicam melhores salários e repasses mais justos. Com tudo isso, o futuro da Uber não é garantido, e qualquer investimento nas ações da empresa apresenta riscos.