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Especialista em lesões cerebrais denuncia os riscos do cabeceio no futebol

ilustração do cérebro e das ações cerebrais
Source: Pixabay

O médico nigeriano Bennet Omalu, que é um dos maiores especialistas em encefalopatia traumática crônica (ETC), uma condição causada devido a traumas repetidos na região da cabeça, criticou publicamente os riscos de cabecear a bola, algo muito comum entre os jogadores de futebol.

De acordo com Omalu, do ponto de vista médico, é absurdo observar os jogadores utilizando a cabeça para posicionar uma bola que está a se movimentar em alta velocidade. Por essa razão, o médico defendeu que o futebol profissional deve adotar regras que restrinjam esse tipo de jogada. Além disso, Omalu declarou que o cabeceio deveria ser proibido para os jogadores com menos de 18 anos.

Em relação as crianças que praticam a modalidade, as críticas do médico foram ainda mais duras. Segundo ele, as crianças de até 14 anos deveriam jogar apenas uma versão mais leve do futebol, sem tanto contato físico e propensão a quedas e lesões, além, é claro, de jamais cabecearem a bola.

Quando questionado sobre a viabilidade dessas mudanças no esporte, o especialista admitiu que muitas pessoas não irão concordar com as alterações, mas destacou que é necessário compreender que a ciência está sempre evoluindo, e segundo os preceitos atuais, permanecer com o futebol da mesma forma de antes seria um grande erro.

Ex-jogadores desenvolvem doenças neurológicas precocemente

Nos últimos anos, vários jogadores profissionais foram diagnosticados com demência e outras doenças neurológicas causadas pelos impactos constantes na cabeça. Entre eles, está o antigo craque da seleção da Inglaterra, Jeff Astle, que morreu em 2002 aos 59 anos de idade, após conviver com Mal de Alzheimer durante os últimos dez anos de sua vida.

Somente na Inglaterra, vários outros ex-jogadores de futebol desenvolveram doenças relacionadas a encefalopatia traumática crônica, como Nobby Stiles, Ray Wilson e Martin Peters. A explicação médica, segundo Bennet Omalu, está no fato do cérebro flutuar dentro do crânio, como uma espécie de balão, e por esse motivo, os impactos do cabeceio vão causando pequenos danos cerebrais, os quais resultam em doenças sérias no decorrer do tempo.

Desse modo, não existem mais dúvidas atualmente de que jogar futebol aumenta consideravelmente os riscos de um indivíduo apresentar doenças neurológicas de forma precoce, em muitos casos antes mesmo dos 50 anos. Para evitar essa ameaça, o ideal é apostar em outros tipos de jogos, como o cassino online, por exemplo.

Familiares reivindicam por mudanças

Recentemente, em entrevista à rede BBC, Rachel Walden, filha do ex-jogador Rod Taylor, que faleceu devido a esse mesmo problema de saúde, falou sobre a importância de se discutir mais sobre o tema. Para Rachel, a Professional Footballers’ Association, que é a associação dos jogadores de futebol da Inglaterra e do País de Gales, deveria se envolver mais e fazer algo em prol das famílias dos atletas.

De acordo com ela, os familiares dos ex-jogadores não culpam as seleções e as equipes de futebol em que eles jogaram, mas reivindicam por um apoio maior da instituição aos jogadores nesse momento mais difícil, quando estão a enfrentar os duros reflexos da doença.